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Relação entre família e a escola e seus impactos na educação

29 Abr
Idealmente, correspondem à família e ao Estado o dever de fornecer educação de qualidade. Veja até onde a família pode ajudar a escola na imprescindível tarefa de educar
 
por Cassiane Knopf e Janaina Cerutti (Revista Língua Portuguesa)
 
É sabido que o desempenho escolar individual de cada aluno depende não apenas do seu rendimento em sala de aula e da competência de seus professores, mas também, do apoio da base familiar que esta aluno encontra em sua casa. A relação entre família e estudos e, principalmente, a maneira como a família de cada aluno se comporta em relação ao seu desempenho escolar, influencia os resultados obtidos por crianças e adolescentes, independente de classe social. Uma base sólida, com pais que se interessam e, até mesmo, ajudam na execução das tarefas escolares faz com que este aluno renda mais em todos os âmbitos de sua carreira escolar. Não basta apenas que os pais se preocupem e estejam presentes nas horas de estudos – eles devem também ter a capacidade de percepção para notar quando seu filho não está desempenhando adequadamente em alguma matéria e buscar soluções: seja ajudando-os a estudar, ou mesmo contratando professores particulares para que estas carências sejam supridas.
 
Estas atitudes, no entanto, podem ser difíceis, dependendo do status social da família: nem sempre é possível que os pais tenham tempo disponível para entender e ajudar em todos os problemas que seu filho esteja encontrando na escola. Entretanto, isso pode ser remediado, se os pais demonstrarem interesse em todas as tarefas realizadas por suas crianças ou adolescentes.
 
É imprescindível para o sucesso escolar que a criança note que seus pais buscam motivá-lo para obter este sucesso; de certa forma, os pais são a força motriz para o estudo das crianças, e seu bom desempenho.
 
De acordo com Sérgio Antônio da Silva Leite e Elvira Cristina Martins Tassoni , quando a família e a escola mantêm boas relações, as condições para um melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas. Assim, pais e professores devem ser estimulados a discutirem e buscarem estratégias conjuntas e específicas ao seu papel, que resultem em novas opções e condições de ajuda mútua.
 
O envolvimento dos pais com a escola é essencial para a aprendizagem de sucesso dos alunos. Não basta que os pais saibam que o filho vai a todas as aulas e realiza as tarefas, eles precisam ter interesse no que cada tarefa consiste, e mostrar que estarão ali, apoiando a criança ou adolescente, independente de seu desempenho.
 
ATÉ AONDE IR
 
O grande problema nesta questão, no entanto, é saber a medida exata com que os pais devem, de fato, se envolver: a criança deve saber que pode contar com os adultos responsáveis em sua vida para ajudá-la, mas jamais para assumir suas responsabilidades. A problemática deste envolvimento são os pais que, por exemplo, executam as tarefas para os filhos (resolvem seus deveres de casa, pesquisam seus trabalhos para entregar) ou, quando estes falham em executá-las, procuram o professor para tratar do assunto, ao invés de deixar a criança assumir a responsabilidade pelos seus atos – como no clássico caso de um aluno terminar o ano com notas baixas e o professor ser inquirido a respeito, como se decidisse as notas arbirtrariamente, e estas não fossem resultado do esforço e da dedicação do aluno. Este tipo de envolvimento dos pais é prejudicial, tanto no âmbito escolar – já que a criança não estará realmente aprendendo o que a tarefa objetivava -, como no campo pessoal – uma vez que o aluno não perceberá que suas ações têm consequências.
 
Segundo Epstein, há cinco tipos de envolvimento da família com a escola. O Tipo 1 são as obrigações essenciais dos pais, como oferecer apoio para seu desenvolvimento escolar, e auxílio quando possível nas tarefas mais difíceis, que a criança possa não conseguir superar sozinha. O Tipo 2 são as obrigações essenciais da escola, como oferecer diferentes métodos de explicações e ensino, até que o aluno consiga absorver o que necessita aprender de maneira adequada, sem que se sinta desvalorizado ou incapaz. Além disso, entre as obrigações da escola está a de abrir espaço para que os pais exponham também as suas opiniões e impressões sobre o desenvolvimento do currículo escolar.
 
O Tipo 3 é o envolvimento dos pais em atividades de colaboração na escola; por exemplo, envolver-se em feiras, festas, exposições, reuniões e eventos escolares. O Tipo 4 é caracterizado pelo envolvimento dos pais em atividades que afetam a aprendizagem e o aproveitamento escolar em casa, ou seja, o auxílio que os pais prestam aos seus filhos na hora de desempenharem tarefas longe da escola, seja atuando como monitores, tutores ou mediadores do conhecimento, buscando, ou não, auxílio nos professores. O Tipo 5 é o envolvimento dos pais no projeto político da escola, mostrando interesse nos projetos desenvolvidos por esta, e ativamente participando nas decisões e escolhas destes projetos, e da atuação da escola na região em que está inserida.
 
Em síntese, os pais devem participar ativamente da educação de seus filhos, tanto em casa quanto na escola, e devem envolver-se nas tomadas de decisão e em atividades voluntárias, sejam esporádicas ou permanentes, dependendo de sua disponibilidade. No entanto, cada escola, em conjunto com os pais, deve encontrar formas peculiares de relacionamento que sejam compatíveis com a realidade de pais, professores, alunos e direção, a fim de tornar este espaço físico e psicológico um fator de crescimento e de real envolvimento entre todos os segmentos.
 
É possível, enfim, concluir que a participação dos pais na carreira escolar de crianças e adolescentes é, sim, imprescindível; mas, ao mesmo tempo, é necessário que este envolvimento seja um envolvimento de qualidade – ressaltando que o essencial é a qualidade do tempo em que os pais se envolvem com a escola e não apenas a quantidade de tempo em que eles fazem isso. Um envolvimento saudável é o que causa o sucesso escolar do aluno.
 
 
REFERÊNCIAS
 
POLONIA, Ana Costa; DESSEN, Maria Auxiliadora. Relações Família e Escola. 
 
CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de. Relações entre família e escola e suas implicações de gênero. 
 
 
OS ENTREVISTADOS
 
Sérgio Antônio da Silva Leite  – Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1971) e mestrado (1976) e doutorado pela Universidade de São Paulo (1980). Atualmente, é professor titular da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Psicologia Educacional, onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e orientação nos seguintes temas: afetividade, alfabetização e letramento, formação de professores, ensino e aprendizagem.
(fonte: currículo Lattes da autora)
 
 
Elvira Cristina Martins Tassoni – Graduada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1983), mestre e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2000 e 2008, respectivamente). Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Foi professora da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental e coordenadora pedagógica dos respectivos níveis de ensino. Realizou estudos na área da Psicologia Educacional e Formação de Professores, com ênfase nos processos de Ensino e Aprendizagem na sala de aula, atuando principalmente nos seguintes temas: afetividade e cognição, alfabetização, condições de ensino, mediação pedagógica, relação professor-aluno, ambiente de sala de aula, Educação Infantil e Ensino Fundamental. 
(fonte: currículo Lattes da autora)
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Reunião da APACAp na pracinha.

9 Nov

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Carta Aberta à Direção do CAp UFRJ e ao COP

27 Set

Rio de Janeiro, 27/09/2013

 

 

 

Carta aberta dos pais do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ) à direção da escola e ao Conselho Pedagógico.

 

 

 

 

A Associação de Pais, Alunos e Amigos do Colégio de Aplicação da UFRJ – APACAp vem  a público manifestar sua opinião e suas demandas sobre assuntos e fatos relevantes  que têm ocorrido no CAp-UFRJ.

 

A APACAp, ao longo deste ano, vem manifestando o desejo e trabalhando para que possa ocorrer uma efetiva e produtiva integração entre as famílias, alunos e profissionais do CAp-UFRJ. Na busca deste objetivo, tentamos de diversas formas iniciar uma participação junto aos grupos de decisão formal deste colégio, nos apresentando para dialogar com a direção do CAp. 

 

Avaliamos que o CAp-UFRJ não vem dando a atenção adequada aos pais e esta falta de dialogo traz prejuízos ao processo pedagógico e dificulta o encaminhamento de soluções aos problemas pelos quais esta escola passa.  Nas vezes em que tentamos encaminhar sugestões, demandas coletivas ou pedidos de informações não obtivemos o tratamento esperado de um colégio público. Em adendo, existem problemas sérios de transparência do CAp-UFRJ, inaceitáveis num colégio público que se pretende democrático, e que agravam essa situação.

 

Esta avaliação se revela em questões práticas, como a ocorrência frequente de furtos nos últimos meses e, mais recentemente, de princípios de incêndios intencionais provocados nas dependências do CAp-UFRJ. Felizmente, foram todos debelados a tempo de evitar uma tragédia indesejável. As informações sobre os furtos e incêndios foram recebidas pelos pais via nossos filhos e/ou outros pais, sendo, em alguns casos, confirmadas individualmente pelos representantes da escola quando questionados.

 

A falta de uma comunicação estruturada com os pais e responsáveis gera uma intranquilidade muito grande, pois não sabemos ao certo a extensão e a gravidade dos incidentes, qual é a política da escola, caso exista, e qual o tratamento que o CAp vem dando a essas questões. Reconhecemos as dificuldades para lidar com essas situações, que são de natureza complexa envolvendo questões educacionais, psicológicas, culturais e institucionais. Acreditamos que todas as questões – de furto, depredação e incêndio – são interligadas e devem ser debatidas aberta e francamente com todos os “atores” deste colégio a fim de se buscar soluções.

 

Após solicitação da APACAp, foram realizadas reuniões com diferentes representantes da escola para tratar desses assuntos, a saber:

  • Em 5 de março de 2013, com a diretora Celina, sobre vários assuntos, inclusive o pedido da criação de um plano de resposta à emergência na escola;
  • Em 21 de junho de 2013, com os quatro diretores adjuntos, sobre furtos;
  • Em 9 de setembro de 2013, com vice-diretora Miriam e diretor adjunto Marcos, sobre os incêndios intencionais;

 

Nas reuniões, questionamos a falta de comunicação direta dessas ocorrências para os pais e responsáveis e pedimos informações sobre a política da escola referente a atos desse tipo. Também sugerimos a criação de grupos de trabalho, com representantes da escola e dos pais para tratar mais a fundo as questões envolvidas, além de uma reunião geral, ou com um grupo restrito de pais, para permitir a troca transparente de informações. Recebemos a garantia verbal nessas reuniões de que nossas colocações seriam discutidas internamente na escola, mas não recebemos respostas.

 

A participação dos pais e responsáveis no processo educacional, em nível individual, das turmas e do colégio, faz parte dos preceitos educacionais contemporâneos no Brasil e no mundo. Consideramos a falta de respostas às demandas e sugestões dos pais e responsáveis um tratamento impróprio e uma desvalorização desta participação.

 

Tratamento com igual desconsideração vem sendo dado ao processo de representação dos pais e responsáveis na escola. A representação dos pais e responsáveis numa instância deliberativa ou consultiva, chamada provisoriamente de “fórum participativo”, foi aprovada numa reunião do Conselho Pedagógico – COP – em 2012. Foram realizadas duas reuniões para discutir o regulamento e os atributos deste fórum, ocorridas em setembro e outubro de 2012, e nunca mais houve convocação, apesar de repetidas solicitações, por email e telefone, por parte da APACAp. Novamente estamos tendo dificuldades para obter respostas.

 

A existência de mecanismos de participação dos pais e responsáveis é uma ferramenta básica de gestão democrática de escolas públicas. A gestão democrática do ensino público, além do seu papel pedagógico, é também um preceito constitucional previsto no parágrafo VI do Artigo 206 da nossa Carta Magna.

 

A falta de transparência do CAP-UFRJ vai além da participação dos pais e responsáveis. Ainda que se tenha eleições de dirigentes com a participação de professores, estudantes e funcionários e processos internos de decisão coletiva  faltam alguns requisitos mínimos de transparência em relação à sociedade.  Em outros CAps, colégios federais  ou outros colegiados da UFRJ, as reuniões são abertas e suas decisões são divulgadas publicamente, alguns inclusive prevendo o direito a voz da comunidade escolar, mediante solicitação prévia. No CAp-UFRJ, as reuniões do COP não possuem atas ou não são divulgadas. O direito à informação é um pressuposto básico da transparência pública. Este hermetismo pode levar a decisões cartoriais ou puramente corporativas.  Ainda que o COP possua características distintas de outros colegiados da UFRJ, justificando nível de transparência diferenciado, não é compreensível a inexistência de estatuto ou regimento que definam as suas atribuições e responsabilidades frente à sociedade, sendo estes instrumentos essenciais para a gestão pública transparente.

 

Entendemos que  a partir do momento em que a escola recebe nossos filhos, assume a responsabilidade de garantir sua segurança in loco parentis. Entendemos, portanto, que a escola tem a obrigação moral e legal de comunicar aos pais qualquer fato ocorrido dentro do ambiente escolar que possa colocar em risco a segurança de nossos filhos.

 

Consideramos que a falta real ou aparente de ações consistentes contra fatos menores (pequenos furtos, pequenas depredações) tende a disseminar uma cultura de impunidade que estimula outros atos. A falta de transparência das ações do colégio e a divulgação de uma política em relação a este assunto também dificulta a possível colaboração das famílias nestas questões.

 

Com relação à ocorrência de furtos, comparando o discurso da escola com os relatos dos pais, constatamos que há uma subnotificação de casos de furto na escola em face da sensação observada entre os pais, mães e responsáveis de que os furtos menores são naturalizados ou até banalizados na escola e que a responsabilidade pela proteção dos pertences é unicamente de cada aluno. Também questionamos a inexistência de um livro de ocorrências e/ou outro registro escrito de furtos, depredações e outros incidentes ocorridos dentro da escola.

Incêndios colocam em risco a segurança de todos que estudam e trabalham, principalmente em uma escola, como é o caso do CAp UFRJ, onde inexiste um plano de resposta à emergência, sendo que nem os profissionais nem os alunos sabem como agir em caso de incêndio ou outro sinistro.

 

Tendo em vista as considerações acima, solicitamos:

 

  1.                                I.            A imediata comunicação aos pais e responsáveis a respeito dos fatos graves ocorridos recentemente na escola;
  2.                              II.            A imediata comunicação aos pais e responsáveis da maneira como a escola esta tratando desses fatos graves ocorridos recentemente na escola;
  3.                           III.            A imediata construção conjunta de um Plano de Resposta à Emergência, para garantir a integridade física de todos que estudam e trabalham na escola;
  4.                           IV.            Reforçamos a demanda de os pais e responsáveis terem representação coletiva na escola, por meio de representantes em instância deliberativa e/ou consultiva, conforme orientação do MEC e em consonância com preceitos educacionais contemporâneos no Brasil e no mundo.

 

Em adendo a esta carta-aberta anexamos um documento elaborado sobre a ocorrência de furtos, baseado em informações fornecidas por pais, mães e representantes em fóruns online e em uma reunião presencial.

 

Por não termos participação no processo decisório da escola, solicitamos que esta carta-aberta seja lida e discutida no Conselho Pedagógico e que o teor das discussões seja relatado aos pais.

 

Finalmente, por acreditarmos que a educação do cidadão do futuro é a responsabilidade conjunta das famílias e das escolas, salientamos o artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente, em parágrafo único:

 

“É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.”

 

Reconhecemos os esforços individuais de alguns membros da direção do CAp e suas reais preocupações com as situações acima expostas, entretanto acreditamos que não estamos obtendo o êxito esperado. Este não êxito demonstra o quanto é difícil sair do discurso para uma prática participativa efetiva.

 

A APACAp tem como princípio a defesa do ensino público de qualidade e entende que o CAp-UFRJ é patrimônio do Brasil, devendo ser preservado pelo seu papel de destaque no cenário da Educação deste país.

 

 

Diretoria da APACAp